Nas trincheiras também se faz o prazer da vida
- Mariane Panek
- 23 de jul. de 2024
- 1 min de leitura
Escrever sobre afetos é um problema
Seja porque estamos sempre em dilema
Ou porque quando abrimos essa brecha
Parece que um lado nosso se fecha
Como um instinto de proteção
Por uma vida de solidão
Alimentada por esse sistema
Eu só queria o direito a uma libido plena
Que me permitisse te olhar com admiração Querer ouvir suas palavras de revolução
E levar isso para o colchão
E ali aprofundar a intimidade
Mas que não fique restrito a essa moralidade
De que depois devo ser sua posse
Ou querer que me endosse
Por ter me deitado contigo
Esse já é um sistema falido
A monogamia é um erro
a ser estruturalmente compreendido
Sinto meu direito de viver abolido
Por ter que restringir meus afetos às suas definições.
Eu quero um mundo de rebeliões
Onde nas trincheiras também se faz o prazer da vida
Essa sempre foi a minha parte preferida
Porque negar que estamos em guerra é impossível
E parece imprescindível
Tornarmos dessa realidade minimamente prazerosa
E não é sobre parecer mentirosa
É sobre questionar o conceito de verdade
Os padrões estabelecidos para cada idade
As ideias de vaidade
Que permeiam as relações
Eu quero quebrar as maldições
Impostas aos úteros historicamente
Dominados pelo estado displicente
Eles sempre quiseram nos controlar
Mas nunca conseguiram totalmente nos domar
As trocas jamais deixarão de acontecer
Mas devem ter em seu centro, revolucionar
Nossa libido precisa se direcionar
Para que o mundo, possamos mudar
Acreditando em uma nova forma também de amar.





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