Navegando pelos meus mares
- Mariane Panek
- 24 de abr. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de abr. de 2023
Às vezes me invade um sentimento oposto ao completo vazio. Se eu pudesse exemplificar, seria aquela cena do Titanic em que a água do mar entra pelos corredores e o invade. É como se cada parte minha fosse inundada por uma quantidade absurda de sentimentos, pensamentos e sensações.
Me considero psicoeducada, e foi parte desse processo compreender a complexidade desse caos de entrelaços de formas variadas. Notei que grande parte da responsabilidade de eu não compreender nada disso e me desorganizar, estava na minha falta de repertório para compreender ou dar a devida destinação a cada sentimento, pensamento e sensação.

Se "todo excesso indica uma falta", essa sensação que se tornou periodicamente comum, me mostrava uma falta de conhecimento sobre eu mesma. E não cheguei nessa conclusão agora (na verdade esse deve ser um sentimento que faz parte quase da nossa formação, todo conhecimento sobre nós sempre parece limitado) e então, notei que também não sabia quando esse sentimento havia surgido, e mais, quando a culpa por não me conhecer passou a acompanhá-lo - mesmo quando não tinha nem tempo de vida para tanto "autoconhecimento".
E então me pergunto, quantas coisas não se tornaram responsabilidades burocráticas, antes mesmo de terem sido compreendidas e elaboradas por quem as destina? E, consequentemente, antes mesmo de termos criado ferramentas suficientes e eficazes para lidar com tais responsabilidades (a nível de sociedade que se estende ao individual). Quantos de nós já não se pegaram repetindo um mesmo erro (seja no relacionamento, no trabalho ou na vida) simplesmente porquê aprendeu que era assim, e apesar de saber que não era o ideal, continuou repetindo? Acrescente: monogamia, religião, víc1os e preconceitos disfarçados de opinião.

A verdade é que ninguém está preparado para olhar pra sua própria mediocridade.
Minhas inundações hoje me levam a perceber que uma forma de entender tanto o excesso quanto a falta, é escolhendo mergulhar e navegar pelos meus próprios mares, para encontrar uma saída real para mim, enquanto crio meu próprio repertório de viagem. Assim, eu me permito conhecer outros oceanos, faço trocas e dou afeto, recebo compaixão e forneço cuidado. Vou e volto das visitas, mudo minha rota, passo mais tempo em alguns universos. Ao explorar algumas terras distantes, encontro meios de secar as poças em meu solo inundado. Digamos que quanto mais eu reduzo a velocidade da viagem, mais eu consigo enxergar as partículas desse composto que se mistura às minhas substâncias, e em câmera lenta posso ver fragmentos de meus ciclos inacabados, que na frente dos meus olhos acontecem simultaneamente.
O tempo para.





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