Se quiser ficar, pode.
- Mariane Panek
- 23 de jul. de 2024
- 1 min de leitura
Eu confesso que tento simplificar as coisas para compreendê-las melhor. Amar e desejar mulheres, por exemplo, me coloca em um lugar de insegurança que ainda não consigo entender. Seja pela intensidade avassaladora desse sentimento ou pela dor que sinto ao ver um amor distante, seja geograficamente ou no tempo. Por outro lado, quando se trata de homens cis, é difícil separar o carinho dos vínculos de opressão que inevitavelmente existem, e a maneira que essas coisas coexistem, e refletem no sexual.
Eu queria mesmo retirar a bissexualidade, e colocá-la em uma mesa de análise. Ô sigla mais difícil de ser, não me sinto parte de nada, ao mesmo tempo que é essa a minha jornada, e nela eu me sinto feliz. Talvez seja essa a ironia, e a razão de tanta fuga. Pelo menos nessa parte da minha vida, entendi que eu não serei pela monogamia corrompida, e isso também faz parte do processo.
Como são lindos os amores plurais! Como a conexão pelo útero, me proporciona também amor próprio, admiração e bruxaria a tods nós. Eu só quero desatar os nós, e poder fluir como o mar, ou a água que da gente escorre, todas as vezes que pra esse amor você recorre, e eu lembro do seu sorriso. Eu quero ser parte do seu caminho, mas ser uma nuvem macia em que você repousa sem responsabilidade de se encaixar no meu ninho. Mas se quiser ficar, pode.





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