A ausência extraña
- Mariane Panek
- 21 de fev. de 2024
- 1 min de leitura
Talvez eu queira mesmo, escrever sobre as dores da alma
Ao invés da política que me tira a calma
Ou do patriarcado que me des-alma
Escrever o que me incomoda sobre o sentir
Que pode estar afetando meu viver
E causando feridas no meu ser
Seria a falta dela? De sua presença singela?
Ou do cheiro específico, no canto do pescoço
Abaixo da orelha
Ou do tom de voz ao falar
Pelos cantos da casa,
No áudio ao telefonar
Será que foi a falta dela que me adoeceu?
Não apenas no coração,
Mas o corpo que também doeu
A ausência é estranha
E extraña
Dói no peito e na alma
Chega a me tirar a calma
Queria poder viver o mesmo tempo
De quem tem dinheiro pra modificá-lo
Transformar uma distância terrível
Em duas horas de avião
Para estar na sua mão
Infelizmente não posso
Desse recurso não me emposso
Porque não nascemos com esse endosso
Saiba que eu queria
Te entregar com maestria
Parte do meu coração
Enquanto isso não acontece
Todo o meu ser padece
Mas pela sua existência, ainda agradece.
Obrigada.





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