Para que um dia, todos possam descansar.
- Mariane Panek
- 23 de jul. de 2024
- 1 min de leitura
Atualizado: 23 de jul. de 2024
Tenho sentido como se meu cérebro
fosse uma máquina, e não quisesse
desligar sua execução.
Seriam meus neurônios,
meu novo meio de produção?
Parece até irônico isso no capitalismo
Imagina que pensar, possa parecer produtivo?
Mas para muito além disso
Essa ideia também é problemática
Tenho com frequência ficado estática
Por não conseguir dormir direito
Querendo que tudo já esteja feito
Quando isso é materialmente impossível
Meu gênero também gera um desnível
Sejam as possibilidades que eu vejo
Que não condizem com a estrutura que eu acesso Ou com as camadas que eu posso estar
Sem ter que em cada segundo, uma batalha trilhar
Juntando isso com a ausência do sono
Tenho medo da instabilidade e do abandono
Considerando que eu, não sou eles
Não posso me descompensar
E nem mesmo me retirar Devo de maneira meritocrática, merecer estar
Devo sempre me dedicar
Nunca mesmo, posso falhar
E nem mesmo querer os homens "esganar"
Os desafios por ser mulher, são imensos
Os cenários estão tensos
Consequentemente meus hormônios também
E a minha falta de paciência para o desdém
Que tem me ensinado a me impor
A melhores espaços compor
Buscar verdadeiros aliados
Fazer uma diminuição dos estragos
É assim que cada hora de sono a menos
Será compensada quando a primavera chegar
E para os pessimistas que tenho que escutar
Eu terei o prazer de ser a primeira a gritar
Que graças a todos nós, ela vai chegar
Eu troco horas de sono por revolução
Para que um dia, todos possam descansar.





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