
Paz entre nós
- Mariane Panek
- 26 de mar. de 2024
- 1 min de leitura
Do outro, me afogo
O outro, me afaga
E eu me sinto uma praga
sem entender minha função
nesse mundo de opressão
Hoje escrevo rimas de poesia
Porque em outros momentos
Tentei fazer arte no pulso
E entendi que por impulso
Não compensa desistir
Trocar o verbo dominante
Retiro a palavra desistir
E entra a expressão resistir
De qualquer maneira nenhuma delas
Representa o reflexo de vidas belas
Viver a expressão resistir
Consiste em abandonar a paz
Entendendo que ela
nunca nos correspondeu
Eu nunca me senti em paz
E não por não ter lhe buscado
I n c e s s a n t e m e n t e
Em cada colo
Em cada polo
Em cada espaço
Em cada estilhaço
Em cada fuga
E até na murruga
A muitos km de distância
Ou na mesma rua
No sorriso da infância
Até mesmo na lua
Eu tentei encontra-la
Entendi que não existe a paz
Quando tudo existe
para que ela não exista
Mas talvez ela consista
No que eles não calcularam
Quando resistimos a quem
nos fornece desdém
a paz passa por mim
Quando enfrento a quem
As correntes mantém
a paz passa por mim
Quando oriento alguém
que sente também
essa falta da paz
ela passa por nós
Quando entendo que nós
Realmente somos uma praga
Nessa natureza devastada
Eu compreendo que pacificar
Só serve ao algoz
Entre nós, quero paz
Aos senhores
A guerra que aqui me trás.
Isso significa resistir.





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