O tapete verde da Vitória
- Mariane Panek
- 7 de mai. de 2023
- 1 min de leitura
Atualizado: 22 de ago. de 2025
Vir pra cá é como um mar
E eu não sou nem a água
Nem o barco
Também não me sinto o peixe
Nem a alga
Já me fizeram acreditar
Em que eu poderia ser até mesmo
O próprio mar
Mas tentei ser um animal existente
Impus limites
apenas da minha mente
E deixei de perceber Eu era o peixe, a alga,
e o próprio mar
Quando percebi
Deduzi que eu não era então
ninguém
Era como se não tivesse forma
Nem cores ou destinos
Sem nenhuma norma
De repente não há possibilidades
Sou tudo e nada ao mesmo tempo
Percebi que posso ter flores e raízes
Posso flutuar ou mergulhar
E posso escolher quando florescer
Quando permanecer imóvel
Saberei que isso é tudo
que preciso fazer
Posso flutuar como o barco
Posso ser um tapete verde nas águas
Posso morar onde tudo surgiu
Na Amazônia é o meu lugar
Foi de lá que eu vim
Vitória Régia pode me chamar
E a noite minhas flores
Venha ver desabrochar
Olhe pra dentro dos seus rizomas
E conecte eles aonde precisar ir





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