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Maio floresceu

  • Foto do escritor: Mariane Panek
    Mariane Panek
  • 6 de jun. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 23 de ago. de 2025

Como pode um único mês

Conseguir simbolizar tanto do humanês


Na figura materna,

habita um enredo real,

que Édipo tentou decifrar

num reflexo ideal.


Marca a psique, até no desafeto,

não cabe em dualismos,

nem no simples gesto

de gerar um feto.


É símbolo do próprio símbolo,

um labirinto sem fim,

que tentam resumir no calendário,

no segundo domingo enfim.


Em trinta dias é impensável,

em apenas um, é insano.

Como reduzir a potência

ao consumo de um plano?


Como pode algo tão pesado

não ser sequer monetizado?

Nunca foi sobre querer,

mas sobre tentar conter.


Falar profundamente

é quase impossível explicar:

representam e prestigiam,

mas a origem querem negar.


Além do dia das mães,

maio reúne "dias de lutas"


O dia do trabalho marca o início,

A luta antimanicomial

não se restringe ao vício,

E na “comunidade do arco íris”,

Também lutam homens viris

Não é sobre em um dia discursar,

E alguns estereótipos quebrar


“Se tiver algo urgente,

corra pra falar! nem para a falsa abolição

tempo vai sobrar"

No restante do ano,

tudo voltam a silenciar.

Não vamos nos esconder

em uma falsa celebração.

Mas sim, juntos,

construir a revolução.


Buscam determinar o que será maternidade,

Que intencionalmente afastam da comunidade

Dizem o que se encaixa no “diferente” E querem determinar a reflexão sobre a mente

A nós, restringem apenas trinta dias.


Maio, o mês de lutas?

Mas, para eles,

essas ideias habitam só mentes enxutas

pedreiras brutas, ou senzalas escuras


Urge a necessidade

de novas simbologias entender Estamos cansados de apenas sobreviver.


A guerra também é estética,

e o fascismo ainda busca entreter.


Não é porque tantas flores

nascem na primavera,

e são pintadas com leveza,

enquanto o cacto

parece fera,


que a flor-de-maio

não se reinventou:

misturando flores e espinhos,

de si mesma se criou,

propondo o amadurecimento

do caminho "do que sou."


A flor é de maio!

Ao fugir da romantização do ser,

do ideal de maternidade


Da concepção de loucura,

e da "certa sexualidade"


Vejo a vida como ela é,

ao fugir da dualidade


Ver a forma de trabalho,

que no mundo me projeto


E ver que eu não inicio

apenas quando me torno um feto


Minha alma vem de antes,

mesmo que ninguém entenda


É isso que a Flor-de-Maio

fala ao brasileiro


Alcançar a primavera

pode ser uma expressão


Mas o fato é que ela

remete a revolução


Ao unir luz e sombra,

esse cacto, agora florescido


Torna maio para além de algo

com função de ser esquecido.



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©2024 por Mariane Regina Salles Panek.

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